
[Bem, não sei realmente o que houve, mas todas as minhas postagens sumiram. Isso porque eram muitas e eu sempre postava. :P Então vou republicar o primeiro texto.]
Reflexo
Num lugar que se torna diante do que se vê inacessível a você.
Perdido num recanto que me faz sempre querer refugiar-me.
Lá, construído de reflexos cristalinos ilusionistas, não passam de meros desejos, de meras contradições. Tudo que aqui é preto, lá reflete branco. (Ou mais escuras do que o branco) Algumas imagens embaçadas, outras não.
Falo de certo refúgio. (Você tem o seu refúgio?) é como se perder no ar. É o não querer estar. É forçar-me a regressar de longe ao meu lar, atrair-me a mim próprio... De volta para mim.
Dentro de mim, existem cidades. Parecem iguais, mas não são. Nada que acontece ali é simétrico: para cada face ou gesto, há uma face ou gesto correspondente invertido ponto por ponto entre os reflexos cristalinos ilusionistas.
Existe aquela que foi construída sobre sonhos, sobre vontade. E que você nunca tem acesso. Existe aquela que você consegue ver...Mas não enxergar. Que não consegue se perder. Que nem se pode distinguir. E você distingue e dá-se nova classificação.
O que você vê. Não sou eu. É o seu reflexo.
Quando ignora-se o seu reflexo, passa a enxergar mais além. Mais profundo... Alguns conseguem tocar o que para mim, seria intocável. Tentando invadir um território meu. Alguns com sede, outros com fome. E outros, sem nada a oferecer nem tirar-me. Apenas, de passagem... Meros parasitas. Rastejam no meu leito...
Tiram meu sono, minha calma, desfrutam do meu gosto, da minha água. E ainda levam as folhas secas caídas ao chão no outono.
Duas cidades. Duas visões. Você consegue distinguir? Não tente. Por favor.
Espelhos são cruéis. Eles te enganam... (ou você os engana?) Cuidado ao tentar eliminar e atravessar a primeira cidade. “As duas cidades olham-se nos olhos continuamente. Mas sem se amar.”
Existem muitas portas... Nas quais você só escolhe uma. E se isso o fizer surpreenda-me.
*
É necessário aos que buscam a percepção desse mundo que se forma nos interstícios, fora do alcance dos olhos comuns que só conseguem enxergar a aparência, o que está na superfície das coisas.
As cidades não encontram seus espelhos no mundo real, elas se desenvolvem segundo uma linha padronizada e evolucionária, dentro de um contexto utópico.
Tudo é portador de um princípio positivo, mas admitindo-se sempre a existência de um princípio negativo que pode a qualquer momento aflorar.Portanto, tudo é e não é.
"Multiplicidades é a própria realidade, e não supõem nenhuma unidade, não entram em nenhuma totalidade e tampouco remetem a um sujeito."
2 comentários:
Não tenho fome nem sede, só curiosidade — só que ela tenta fazer com que eu tenha fome e sede.
a propósito, você chegou a perder suas postagens?
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